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O calor e a economia que ele gera

Pedro Henrique Pontes é economista e mestre em Economia. É professor do curso de Ciências Econômicas da Uninter. Rodrigo Leal

*Por Pedro Henrique Pontes

Não é novidade que o verão de 23/24 foi um dos mais quentes em Curitiba. Além disso, registrou-se aumento na temperatura média da cidade e volume de chuvas abaixo da média histórica, levando muitos a acreditar que os dias quentes e secos deixaram de ser esporádicos e passaram a ser frequentes, mesmo durante as demais estações do ano. Mas será esse um motivo para impulsionar uma corrida para comprar condicionadores de ar?

De acordo com o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em agosto, dentre as capitais pesquisadas, a Região Metropolitana de Curitiba apresentou o segundo maior aumento nos preços dos aparelhos de ar-condicionado, 1,84%, atrás apenas de Porto Alegre, onde a elevação foi de 3,43%. Já em termos de média nacional, os preços de ar-condicionado subiram 0,17% em todo o Brasil, contrastando com a deflação de –0,02% registrada no mês.

Um olhar atento ao IPCA na capital paranaense, revela que os preços dos condicionadores de ar em agosto estavam, em média, 3,00% abaixo do que tinha registrado no início de 2024, embora, a inflação tenha avançado 2,32% no mesmo período. Isso sugere certa normalidade deste mercado na região, pois: 1) a média de preços estava maior no verão do que no inverno e 2) a trajetória de crescimento dos preços não acompanhou a da inflação.

Há também indícios de que o mercado está funcionando satisfatoriamente na região em outro dado oficial. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), o volume de vendas no segmento de eletrodomésticos do comércio varejista paranaense apresentou alta de 16,8% na variação acumulada no ano de 2024, de janeiro a julho, frente a igual período de 2023. Enquanto a elevação das receitas nominais desses estabelecimentos foi de 10,3%. Isso corrobora o indicativo do IPCA de que os preços praticados no mercado de Curitiba não cresceram de forma abrupta no período.

Contudo, a variação dos preços dos ares-condicionados (6,58%) na Região Metropolitana de Curitiba, no acumulado dos últimos 12 meses, para foi bem superior ao da inflação (2,96%). O que, certamente, pesa no bolso dos consumidores que gostariam de ter adquirido um aparelho à vista em meados de 2023, mas que até agora não efetivaram a compra.

Por outro lado, quem recorreu a parcelamentos e/ou financiamentos pode ter percebido um alívio nas parcelas, pois as taxas de juros se reduziram. Segundo o Banco Central do Brasil, a modalidade aquisição de outros bens, pré-fixado, para pessoas físicas apresentava um intervalo de taxas entre 0,22% a.m. e 7,86% a.m. em agosto de 2023, enquanto, no último agosto, a mínima era de 0,20% a.m. e a máxima de 7,45%. Já a modalidade crédito pessoal não-consignado, pré-fixado, para pessoas físicas reduziu o intervalo de 0,21% a.m. e 22,65% para 0,20% a.m. e 20,12% a.m.

Portanto, o crescimento das compras de condicionadores de ar não encontra respaldo em argumentos que sugerem que os consumidores foram motivados pelo barateamento do produto, sendo plausível a hipótese de que pode estar em

curso uma alteração na estrutura de preferências de consumo dos curitibanos. Mudança que parece muito mais relacionada a um comportamento adaptativo, frente a realidade climática, do que mera reconfiguração momentânea das cestas de consumo.

Ainda é cedo para um veredito dos dados, contudo, seguindo a máxima de que “os desejos de consumo são ilimitados, mas os recursos para a realização são escassos”, uma boa rota de investigação será identificar se haverá um padrão de quais bens/serviços estão sendo preteridos para gerar os fundos necessários aos que agora são preferidos.

*Pedro Henrique Pontes é economista e mestre em Economia. É professor do curso de Ciências Econômicas da Uninter.

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Expofruit 2025 conecta Brasil a compradores de quatro continentes e gera milhões em negócios

Expofruit 2025 conecta Brasil a compradores de quatro continentes e gera milhões em negócios

Evento reuniu mais de 45 mil pessoas e superou expectativas com rodada internacional que conectou produtores brasileiros a compradores de quatro continentes

Mossoró (RN) se consagrou, mais uma vez, como a capital mundial da fruticultura tropical. A Expofruit 2025 — maior feira do setor na América Latina — bateu recordes e movimentou mais de R$80 milhões em negócios, reunindo mais de 45 mil visitantes e confirmando o protagonismo do Rio Grande do Norte no cenário global. Durante três dias, produtores, compradores e investidores de quatro continentes estiveram conectados em uma vitrine de inovação, sustentabilidade e grandes oportunidades.

Com o tema “Sustentabilidade e Inovação: Fruticultura Tropical Responsável”, a feira transformou Mossoró em um verdadeiro polo de negócios internacionais, com mais de 300 estandes de 13 países, além da Rodada Internacional Exporta Mais Brasil – Frutas Frescas, que aproximou empresas brasileiras de importadores estratégicos da Europa, Ásia, América do Norte, África e América do Sul. O saldo não poderia ser mais positivo: somente a rodada gerou cerca de US$6 milhões em acordos comerciais, consolidando a Expofruit como o principal evento de fruticultura do Brasil e da América Latina.

Para Fábio Queiroga, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (COEX/RN), entidade realizadora da feira, a Expofruit 2025 foi um grande sucesso, grandiosa, muito visitada e com destaque para a Rodada Internacional de Negócios, no Hotel Thermas. “Nesses três dias vimos uma incrível visitação em todos os pontos de realização da feira. Na Rodada Internacional de Negócios acolhemos treze importadores de diversos continentes, negociando com produtores de frutas de todo o Brasil através de programas Exporta Mais Brasil, da Agência de Promoção e Exportação – ApexBrasil. Foi um ano realmente brilhante, em que tivemos mais de 300 expositores de 13 países e uma estimativa de mais de 80 milhões de reais negociados nos três dias de Expofruit. Muitas empresas multinacionais, cerca de 65% delas. Foi muito bom! Tivemos a participação de órgãos diversos órgãos públicos e entidades nacionais e locais. Realmente foi um ano brilhante e só temos a agradecer a colaboração, a presença e a participação do SEBRAE, sempre muito forte conosco, fazendo com que tudo isso se transforme num caso de sucesso”, comemorou

Já o diretor comercial da Expofruit, João Manoel, comemorou os resultados desta que foi a maior edição da história do evento. “O entusiasmo e o orgulho definem nosso sentimento, com 100% de satisfação de todos os clientes que estiveram presentes, já que todos fecharam negócios. Com a presença de 13 países participando da feira, a Expofruit já é uma feira consolidada como a maior do Brasil e da América Latina, mas, neste ano, o grande diferencial foi a Rodada Internacional de Negócios, que movimentou um expressivo volume de acordos, reforçando ainda mais a relevância do evento para o setor”, afirmou.

Destaque para os Negócios Internacionais

Promovida pela ApexBrasil em parceria com o Sebrae-RN, a rodada de negócios foi um dos grandes highlights da feira. Realizada nos dias 20 e 21 de agosto, no Hotel Thermas, o evento facilitou reuniões pré-agendadas (matchmaking) entre produtores nacionais e compradores estrangeiros de países da Europa, Ásia, América do Norte, África e América do Sul, gerando expectativa de negócios robustos para os próximos meses.

De acordo com a avaliação do diretor-técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, a edição 2025 da Expofruit superou todas as expectativas e consolidou-se como um marco para o agronegócio potiguar. “Tivemos uma feira de alta qualidade, focada em negócios, com destaque para a rodada internacional que reuniu 13 compradores estrangeiros e gerou cerca de 6 milhões de dólares em contratos, além de um seminário técnico na Ufersa que apresentou inovações e oportunidades de mercado. O evento também fortaleceu o movimento Feito Potiguar, com a entrega do selo a oito empresas, estimulou a cajucultura com novas perspectivas para pequenos produtores, ampliou o acesso a crédito por meio da presença de grandes instituições financeiras e garantiu maior inserção internacional ao entrar definitivamente no calendário estratégico da ApexBrasil. Para o Sebrae-RN, foi um momento decisivo de apoio, conexão e valorização dos empreendedores locais, reafirmando nosso compromisso de transformar potencial em resultados concretos para o setor”.

E fechando as análises dos realizadores da feira, o professor Rodrigo Codes, reitor da Ufersa, reforçou a importância dessa longa parceria e dos benefícios que a Expofruit traz para Mossoró e todo o Rio Grande do Norte. “Essa é mais uma edição em que a Ufersa marca presença na promoção da Expofruit e, assim como em todo o evento, a avaliação é de sucesso e certeza de renovação da parceria. Neste ano, consolidamos os espaços de exposição das nossas pesquisas e ciência desenvolvida pela nossa comunidade acadêmica em prol do fortalecimento da nossa fruticultura”, destacou.

Avaliação positiva e recordes superados

  • A consolidação da Rodada Internacional de Negócios como um canal vital para exportações.
  • A integração do pequeno produtor em uma cadeia de valor global e sofisticada.
  • A demonstração prática de como tecnologia, inovação e sustentabilidade andam juntas no campo.
  • O reforço de Mossoró e do Rio Grande do Norte como o hub incontestável da fruticultura tropical responsável.

A feira, que já é tradição no calendário nacional do agronegócio, se despede de Mossoró já planejando a próxima edição, em 2027, e deixando um legado de negócios,  números impressionantes, parcerias e a reafirmação da fruticultura irrigada do RN como líder nacional na exportação de frutas.

Sobre Expofruit

Considerada o evento de fruticultura tropical irrigada mais importante do Brasil, a Expofruit a cada edição conquista mais atenção de grandes investidores. A feira tem como objetivo o apoio ao setor frutícola potiguar, garantindo a participação de produtores de todo o estado em um evento que viabilize a comercialização da produção e promova novos negócios, inclusive exportações. 

A Expofruit 2025 foi uma realização do COEX – Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN) e da Universidade Federal Rural do Semi-árido (Ufersa), com a promoção da Promoexpo.  A feira teve o patrocínio do Governo Federal, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, da Prefeitura de Mossoró/RN, da Secretaria da Agricultura da Pecuária e da Pesca do Rio Grande do Norte, do Banco do Nordeste, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil e da Neoenergia Cosern.

Também contou com o apoio do Ministério da Agricultura, Governo Cidadão, Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn),  Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema), Sistema Fiern, Sistema Faern/Senar, Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN (Crea/RN), do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e da OCP Brasil. Além do apoio de mídia da Editora Gazeta, do Notícias Agrícolas, do Sistema Tribuna e da TCM.

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SomaFlux lança linha própria de sopradores para otimizar processos de aeração e secagem no agronegócio

Soprador de canal lateral

Equipamentos são voltados para silos e armazéns, com foco em redução de custos energéticos e ganho de produtividade na pós-colheita

Dos grãos de café que percorrem os tubos de uma torrefadora até às bolhas de ar que mantêm vivas as bactérias que tratam a água que você consome. Por trás desses processos tão distintos, há um protagonista comum: o soprador de canal lateral. Amplamente utilizado na indústria, o equipamento agora ganha identidade brasileira com o lançamento da marca própria da SomaFlux, empresa especializada em equipamentos e serviços em compressores de ar, bombas de vácuo e, justamente, sopradores. A empresa nacionalizou a tecnologia, adaptando a inovação internacional às demandas do mercado local.

“Os sopradores operam tanto por vácuo quanto por sopro, o que permite uma ampla gama de aplicações industriais”, explica Osvaldo Calegari, gerente técnico e comercial da SomaFlux. “É essa versatilidade que os torna essenciais em vários segmentos da indústria”. Os sopradores de canal lateral são necessários também no tratamento da água, de esgoto e de detritos industriais.

Outro exemplo do uso do soprador é na indústria química, onde o produto auxilia no transporte de materiais granulados muito pequenos e pós químicos finos; bem como na aeração de tanques.

A indústria do plástico também se beneficia diretamente da tecnologia. “Os sopradores são amplamente utilizados no transporte pneumático de materiais granulados ou em pó e em sistemas de vácuo, especialmente em etapas como a injeção e extrusão”, explica Osvaldo Calegari.

Segundo ele, o equipamento garante um fluxo contínuo de ar isento de óleo, fundamental para evitar contaminações nos processos e manter a qualidade do produto final.

“Além disso, operam com baixo nível de ruído, o que contribui diretamente para a saúde auditiva e o bem-estar dos colaboradores no ambiente industrial. Outro diferencial é a baixa exigência de manutenção, que favorece a continuidade das operações, melhora a eficiência produtiva e reduz significativamente os custos ao longo do tempo”, completa Calegari.

O especialista explica que a novidade da SomaFlux chega ao mercado com uma proposta que vai além da simples entrega do equipamento. Estão previstas etapas como acompanhamento técnico, treinamento para operação correta e suporte com manutenções preventiva e corretiva. Para Osvaldo, a atenção ao pós-venda não é apenas um gesto de fidelização, mas uma forma de assegurar que o equipamento desempenhe, com precisão, seu papel dentro da linha de produção.

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Governança no Agro: curso destaca caminhos para acesso ao mercado de capitais

Imagem: Freepik

Como as empresas familiares do agronegócio podem fortalecer sua presença no mercado de capitais? Essa é a provocação central do curso “Governança no Agro”, que será realizado nos dias 8 e 9 de outubro

Voltado para empresários, administradores de empresas do agro e profissionais do setor financeiro com atuação no agro, o curso online é composto por dois módulos com duração de 2 horas e 30 minutos cada e propõe uma imersão nas estruturas de governança corporativa, familiar e patrimonial, destacando sua importância para garantir perenidade, profissionalização e atratividade frente a investidores.

Nos encontros, os participantes aprenderão a fortalecer a confiança dos investidores, dominar as particularidades do agro e utilizar a governança como alavanca de crescimento, dentre outros temas. “Vamos apresentar as especificidades das empresas do agronegócio e mostrar como aplicar práticas que aumentam a credibilidade do negócio agro, garantindo mais clareza, responsabilidade e solidez nas relações com o mercado e stakeholders estratégicos”, explica Amanda Salis Guazzelli, professora do curso.

“A primeira aula é destinada a apresentar e entender as peculiaridades das empresas familiares do agronegócio; aprofundar técnicas de governança corporativa, familiar e patrimonial; além de explorar o planejamento sucessório e suas resistências no agronegócio. No segundo encontro, o objetivo é esclarecer o atual cenário do financiamento do agronegócio; apresentar ferramentas do mercado de capitais em função do agronegócio, e explorar a conexão entre a realidade do agro e o acesso ao mercado de capitais”, finaliza Diego Billi Falcão, professor do curso.

As aulas serão conduzidas por Diego Billi Falcão e Amanda Salis Guazzelli, sócios do escritório Huck Otranto Camargo Advogados e fundadores da Governança Agro. Diego é mestre em Direito Comercial pela USP, com 20 anos de experiência em direito empresarial, fusões e aquisições, sucessão e litígios societários. Amanda, além de advogada com mais de 15 anos de experiência no setor agro, é produtora rural, pertencente à quarta geração de pecuaristas da família. É mestre em Direito Econômico e Financeiro pela USP e possui MBA em Economia e Gestão do Agronegócio pela FGV.

Para se inscrever, basta clicar em https://capitalaberto.com.br/encontros/governanca-no-agro/

Informações Gerais:
Curso: Governança no Agro
Data e horário:
8 e 9 de outubro – de 8:30 às 11:00
Modalidade: Online
Carga horária: 5 horas (duas aulas de 2h30)
Público-alvo:
Empresários e administradores do agronegócio; profissionais do mercado de capitais com atuação no agro
Investimento:
6x de R$ 183,35 ou R$ 1.100,00 à vista
Inscrições e informações:
https://capitalaberto.com.br/encontros/governanca-no-agro/

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