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Desenvolvimento da agricultura ao longo da história e sua importância no Brasil atual

Desenvolvimento da agricultura ao longo da história e sua importância no Brasil atual

*Por Raphael Medeiros

A origem da agricultura marcou a transição das sociedades de caçadores-coletores para agrícolas, conhecida como Revolução Neolítica, ocorrida entre 10.000 e 5.000 a.C. em regiões como o Crescente Fértil, Vale do Rio Indo, China e Mesoamérica. Fatores como mudanças climáticas, crescimento populacional e domesticação de plantas e animais motivaram essa mudança.

Modos de produção agrícola incluíam horticultura (cultivo em pequena escala), pastoralismo (criação de animais), agricultura de subsistência (produção para consumo próprio) e agricultura comercial (produção para venda).

Os impactos da agricultura incluíram sedentarismo, estratificação social, desenvolvimento tecnológico e formação de estados. A agricultura transformou as sociedades humanas, estabelecendo as bases para civilizações complexas e organizadas.

A agricultura moderna no Brasil é uma combinação de alta tecnologia, práticas sustentáveis e vasta produção, colocando o país entre os maiores produtores agrícolas do mundo. Este setor se destaca pelo uso extensivo de máquinas avançadas, como tratores e colheitadeiras, além da adoção de culturas geneticamente modificadas, como soja, milho e algodão, que aumentam a produtividade e a resistência a pragas. A agricultura de precisão, que utiliza GPS, drones e big data para monitorar e otimizar o uso de recursos, também é uma característica marcante.

No âmbito da sustentabilidade, práticas como o plantio direto, que minimiza a erosão e preserva a umidade do solo, e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina a produção de grãos, carne e madeira na mesma área, são amplamente utilizadas. Além disso, sistemas agroflorestais que combinam culturas agrícolas com árvores promovem a biodiversidade e a saúde do solo.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desempenha um papel fundamental, desenvolvendo novas tecnologias e práticas agrícolas que aumentam a produtividade e a sustentabilidade. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de soja e milho, e também tem uma produção significativa de cana-de-açúcar para açúcar e etanol, além de ser o maior produtor mundial de café.

Entretanto, a agricultura brasileira enfrenta desafios como os impactos das mudanças climáticas, que afetam a produtividade agrícola, exigindo o desenvolvimento de variedades de culturas mais resistentes e práticas resilientes. Há também a necessidade de equilibrar a expansão agrícola com a preservação ambiental, especialmente na Amazônia, com políticas para reduzir o desmatamento e promover a conservação da biodiversidade.

A inovação tecnológica continua a ser crucial, com a adoção de inteligência artificial e robótica para aumentar a eficiência e reduzir o impacto ambiental, além de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para descobrir novas soluções agrícolas. No mercado de exportação, o Brasil precisa manter e expandir seus mercados, enfrentando desafios como tarifas e concorrência internacional, enquanto desenvolve novos mercados e produtos de valor agregado.

Iniciativas modernas, como o crescimento de startups de tecnologia agrícola (AgTechs), o fortalecimento das cooperativas agrícolas que ajudam pequenos e médios produtores a acessar tecnologia e mercado, e a expansão de programas de certificação sustentável, são exemplos de avanços no setor.

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, contribuindo significativamente para o PIB e as exportações. Também é uma importante fonte de emprego, desde a produção nas fazendas até a cadeia de processamento e distribuição, e os investimentos em infraestrutura e tecnologia agrícola tem melhorado a qualidade de vida e as oportunidades nas áreas rurais.

Em resumo, a agricultura moderna no Brasil equilibra alta tecnologia, sustentabilidade e produção em larga escala. Com avanços contínuos e investimentos em inovação, o setor agrícola brasileiro está bem posicionado para enfrentar desafios globais e continuar sendo um líder mundial na produção de alimentos e bioenergia.

*Raphael Medeiros é historiador, pedagogo e estudante de pós-graduação em Educação Especial

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PI AgSciences traz inovação e sustentabilidade para a Exposoja 2026

Imagem: divulgação

Nos dias 14 e 15 de janeiro, a cidade de Taquarivaí, no interior de São Paulo, recebe a ExpoSoja 2026 que este ano vai trazer toda a inovação das tecnologias PI AgSciences (que incorporou a Plant Health Care, PHC). Organizado pela DETEC, consultoria agronômica, o evento propõe dias ricos em conhecimento, tecnologia e conexão com o campo, onde o público poderá conhecer os desafios e as melhores soluções para o desenvolvimento da soja.

Contará com a presença inedita das tecnologias sustentáveis, da PI AgSciences, que vêm transformando a agricultura, impactando o manejo dos cultivos com respeito ao solo e ao meio ambiente, entregando proteção de plantas e bioestimulação para gerar safras mais produtivas, com mais qualidade e rentabilidade.  

“A transformação da sua lavoura começa aqui, venha conhecer em campo toda a entrega de produtividade que nossas soluções TEIKKO™, SAORI® e HPLANT® vem trazendo para o cultivo da soja”, convida João Vitor Bruner, responsável comercial técnico para a região, pronto a apresentar os resultados em campo obtidos com as tecnologias PI AgSciences durante o circuito da Exposoja 2026.

Nematicida bioquímico sustentável à base de peptídeos para tratamento de semente, o TEIKKO™ reduz o ataque de nematoides; enquanto o SAORI® é o único fungicida registrado em tratamento de sementes com efeito sobre doenças foliares da soja. Já o bioativador HPLANT® é decisivo para o alcance da melhor produtividade. Estimula o sistema de defesa da planta para que o cultivo seja mais resiliente às condições adversas, expressando todo o seu potencial com ganhos elevados de produtividade.

EXPO SOJA 2026

Data: 14 e 15 de janeiro

Horário: das 8h30 às 16h

Local: Sede Cerrado de Cima Sementes – Taquarivaí/SP

Realização / Organização: DETEC

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XII Expedição Gape é conhecimento a céu aberto, com a PI AgSciences na estrada

XII Expedição Gape é conhecimento a céu aberto, com a PI AgSciences na estrada

Neste 12 de janeiro, será dada a largada para a XII Expedição GAPE, Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão, este ano junto com a PI AgSciences (que incorporou a Plant Health Care, PHC). Organizada pelo departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Expedição levará alunos de graduação em Engenharia Agronômica para vivenciar um tour de duas semanas, com foco na agricultura irrigada do Sul do Brasil.

Passando por fazendas, consultorias, sementeiras e cooperativas, terão a oportunidade de adquirir farto conhecimento em nutrição de plantas, fertilidade do solo e adubação. Entre as lições, poderão observar o quanto tecnologias sustentáveis, como as da PI AgSciences, vêm transformando a agricultura, impactando o manejo dos cultivos com respeito ao solo e ao meio ambiente, entregando proteção de plantas e bioestimulação para gerar safras mais produtivas, com mais qualidade e rentabilidade.

Idealizado pelo Dr. Godofredo Cesar Vitti, de 12 a 25 de janeiro os alunos serão acompanhados pelos professores doutores, Rafael Otto e Tiago Tezotto, durante cerca de 4.000 km, passando pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Observando as principais culturas da região, como soja, feijão, arroz irrigado, fumo e maçã, terão uma verdadeira aula prática e técnica, a céu aberto, alinhada aos desafios e inovações da agricultura regional.

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Quota e seus enigmas

Paulo Bellincanta – Presidente do Sindifrigo MT

*Por Paulo Bellincanta

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

*Paulo Bellicanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

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