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Quota e seus enigmas

Paulo Bellincanta – Presidente do Sindifrigo MT

*Por Paulo Bellincanta

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

*Paulo Bellicanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

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Ameaçada de extinção na Bahia, onças-pardas são avistadas em reservas da Bracell no Litoral Norte

Foto: Acervo Bracell

Filmagens realizadas em área protegida apontam para a conservação da biodiversidade e a relevância dos programas ambientais mantidos na região

Duas onças-pardas foram vistas em áreas de conservação ambiental da Bracell, no Litoral Norte da Bahia. Os registros foram os primeiros em vídeos realizados em sete anos de monitoramento executados pela empresa, o que evidencia a raridade da aparição desse felino, classificado como espécie ameaçada de extinção no estado. De hábitos predominantemente noturnos, os animais foram filmados em momentos e locais distintos. Antes dessas imagens, as equipes de monitoramento já haviam identificado a presença das onças, em 2019, por meio de pegadas e fezes.

O biólogo Igor Macedo, especialista em Meio Ambiente da Bracell, pontua que o registro das onças-pardas (Puma concolor), também conhecidas como suçuarana ou puma, é muito importante para a região, pois comprova a existência de fragmentos florestais conservados, como parques e áreas de preservação permanente. “Trata-se de uma espécie ameaçada de extinção na Bahia, e conseguimos observar não apenas ela, mas diversas outras espécies raras e ameaçadas distribuídas nesses fragmentos. Esse cenário também demonstra que as empresas florestais incorporam, em suas estratégias de sustentabilidade, ações relevantes voltadas à conservação ambiental”, afirma ele, ressaltando que a presença desses animais “reforça a necessidade de continuarmos trabalhando pela conservação”. 

O especialista destaca ainda o trabalho realizado pela Bracell na preservação de áreas ambientais, como as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) — unidades de conservação de domínio privado, criadas voluntariamente pelo proprietário com o objetivo de conservar a biodiversidade em caráter perpétuo. Na Bahia, a empresa mantém quatro RPPNs, que somam mais de 3 mil hectares. Entre elas está a RPPN Lontra, com 1.377 hectares de Mata Atlântica, reconhecida como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Essas áreas de conservação abrigam mais de 300 espécies de aves, 80 de répteis, 70 de anfíbios e 60 de mamíferos — algumas ameaçadas de extinção, como a própria onça-parda —, com uma rica vegetação nativa com mais de 600 espécies de plantas, além da conservação dos cursos d’água, como rios e nascentes. Esse habitat, preservado e com a segurança oferecida pela área patrimonial da empresa contra a caça predatória, favorece a permanência desses animais em condições ideais de sobrevivência. 

“Na Bracell, adotamos uma série de ações para a conservação ambiental, como o Compromisso Um-Para-Um, que prevê a conservação de um hectare de floresta nativa para cada hectare de floresta plantada. Além disso, contamos com programas de monitoramento contínuo e mantemos áreas destinadas integralmente à conservação, como as RPPNs”, afirma Macedo.

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Feira de Inovações SCV 2026

Vista aérea da sede da Fazendo Santo Amaro, em Muitos Capões/RS

Tecnologia, sustentabilidade e regeneração para o futuro do campo

Muitos Capões/RS – A inovação constante no campo é hoje um dos pilares para tornar as propriedades rurais mais produtivas e sustentáveis. Mais do que adotar novas tecnologias, trata-se de repensar modelos de produção e gestão. Nesse sentido, a Agricultura Regenerativa surge como uma abordagem capaz de potencializar a agricultura brasileira diante do mundo, ao unir produtividade com conservação dos recursos naturais e regeneração dos solos.

Com 55 anos de história, a SCV é reconhecida pela excelência no desenvolvimento de sementes adaptadas às diferentes realidades produtivas do Brasil. Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa construiu uma trajetória marcada pela inovação, qualidade e sustentabilidade, ampliando sua atuação em diversas regiões do país e oferecendo soluções que contribuem para o aumento da produtividade e para práticas agrícolas mais responsáveis.

E é nesse contexto que a Sementes Com Vigor (SCV) promove, nos dias 4 e 5 de março de 2026, a Feira de Inovações SCV, em sua sede em Muitos Capões. O evento, já consolidado como referência nacional em debates técnicos e acesso as recentes tecnologias agrícolas, reunirá produtores, pesquisadores e profissionais do setor em dois dias de intensa programação. Segundo Pedro Basso, CEO e agrônomo da SCV, “a Feira de Inovações se tornou um espaço fundamental para a troca de conhecimento e para a apresentação de novas tecnologias. É uma oportunidade para os profissionais do setor debaterem os desafios que enfrentamos e encontrarem soluções inovadoras.”

Nesta edição, os temas ganham ainda mais relevância. A palestra sobre Estruturação de Plantas, conduzida por Tiago Hörbe e Pedro Basso, mostrará como o manejo adequado da arquitetura das plantas impacta diretamente na produtividade, sanidade e eficiência dos cultivos. Já a palestra de Filipe Moura, CEO da Equalizagro, abordará a Compatibilidade de Produtos no Sistema Enlist e Misturas de Tanque. Conheça as Expositoras de 2026 da Feira de Inovações SCV que trarão novidades ao mercado:

▪ Corteva
▪ Plantec
▪ PI AgSciences
▪ Sumitomo
▪ UPL
▪ Rizobacter
▪ Bayer
▪ Cultive biotec
▪ Brasmax
▪ Cordius
▪ Agro Drones(DJI)

PROGRAMAÇÃO – Feira de Inovações SCV 2026

4 de março (Quarta-feira)

08h30 – Abertura oficial da Feira de Inovações
09h50 – Rodada nos Stands da Feira de Inovações
11h00 – Plenária Técnica: Estruturação de Plantas
com Tiago Horbe e Pedro Basso


5 de março (Quinta-feira)

07h30 – Abertura
08h00 – Rodada nos Stands da Feira de Inovações
11h00 – Palestra: Compatibilidade de Produtos no Sistema Enlist e Misturas de Tanque
com Filipe Moura, CEO da Equalizagro

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PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV com soluções disruptivas para tratamento de sementes

PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV com soluções disruptivas para tratamento de sementes

Empresa marca presença com as inovadoras tecnologias HPLANT®, TEIKKO™ e SAORI®

Se a marca registrada deste evento é INOVAÇÃO, estamos no lugar certo. A PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV (Sementes Com Vigor), nos dias 4 e 5 de março de 2026, em Muitos Capões, RS. Participar de um evento já consolidado como referência nacional em debates técnicos e permitir que os produtores tenham acesso às melhores tecnologias agrícolas é também nossa missão.

Para este evento, a PI AgSciences apresenta as soluções que vem proporcionando ao manejo da soja e suas culturas de rotação proteção indispensável contra doenças foliares, efetivo combate a nematoides e alcance de produtividade. Os visitantes terão acesso às informações das tecnologias que vêm transformando a agricultura, com respeito ao solo e meio ambiente: a PREtec (“Plant Response Elicitor Technology”), plataforma patenteada de peptídeos desenvolvida para a agricultura pela PI AgSciences.

Mais do que uma tecnologia isolada, PREtec é uma plataforma dinâmica que sustenta o porfolio atual da companhia e o pipeline de inovação, gerando novos produtos que ampliam oportunidades ao mercado agrícola global. Com foco em proteção às doenças foliares e controle de nematoides, as soluções SAORI® e TEIKKO™ permitem à planta responder seletivamente apenas aos fungos e parasitas, respectivamente, prejudiciais ao seu desenvolvimento. Únicos e patenteados pela PI AgSciences, são produtos bioquímicos para tratamento de sementes que protegem a planta desde a germinação, proporcionando um ciclo vegetativo mais sadio, maior longevidade das folhas do baixeiro, melhor enchimento dos grãos e maior produtividade.

SAORI®Primeiro fungicida bioquímico para o controle de doenças foliares em soja

Aplicado no tratamento de sementes Saori® contribui também no controle da anomalia das vagens, doença emergente do cultivo, preservando a integridade das estruturas reprodutivas.

TEIKKO™Protege a planta de dentro para fora

De aplicação simples e controle consistente de nematoides, mesmo em condições adversas de solo e clima, entrega maior produtividade ao sojicultor. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, em 10 anos, as perdas chegariam a R$ 870 bilhões, uma safra a cada dez. Ensaios realizados geraram até 6,4 sacas/ha a mais.

Se a intenção de Pedro Basso, CEO e agrônomo da SCV, é discutir e repensar caminhos para a transição da agricultura tradicional para a regenerativa, não poderia faltar também a solução HPLANT®, que vem tornando o manejo dos cultivos mais produtivo e sustentável.

HPLANT® – Bioativador, é produtividade e resiliência em qualquer condição     

Permite à planta expressar seu potencial produtivo mesmo em condições adversas, atuando como uma solução única que proporciona alta performance ao manejo do agricultor.

Diante do impacto crescente das mudanças climáticas, com estresse ambiental e novos perfis de ataque de pragas e doenças, tecnologias a base de peptídeos são estratégia decisiva em resposta aos maiores desafios do agro: mitigar riscos, elevar a produtividade e construir culturas mais resilientes, longevas e lucrativas, com inovação e propósito.

“Participar de um evento em que a história da família se entrelaça com o avanço da agricultura no estado gaucho é uma grande oportunidade para reafirmar nosso compromisso com inovação, sustentabilidade e eficiência no campo pela construção de um Agro mais saudável para todos”, comemora Juliano Duarte, responsável comercial técnico da PI AgSciences para a região.

Resultados representam médias e podem variar por região, condições climáticas, fatores agronômicos e ambientais.

Feira de Inovações SCV 2026

Data: 4 e 5 de março

Horário: 8h30s às 11hs

Local: Fazenda Santo Amaro- Muitos Capões/RS

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