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Especialistas debatem como a IA irá revolucionar o futuro do frete no Brasil
Evento promovido pela Logfintech goFlux com a colaboração da PWC Agtech Innovation, um dos principais hubs de inovação do agronegócio, vai propor uma imersão de conhecimento ao setor de transporte de carga rodoviário com ferramentas como o View, capaz de impulsionar a tomada de decisão com dados precisos e análises avançadas
O advento da Inteligência Artificial (IA) nos últimos anos proporcionou diversos benefícios nas mais variadas áreas e segmentos. As novas tecnologias possibilitam, por exemplo, a análise rápida, precisa e a organização de todos os dados identificando padrões, facilitando assim a tomada de decisão. Para mostrar todas estas inovações atuais e ainda debater o futuro do frete no Brasil, acontece amanhã, dia 10 de setembro, no espaço PwC Agtech Innovation, em Piracicaba/SP, a primeira edição do goFlux Day.
Com o tema: IA que te transporta para o futuro do frete, o evento organizado pela logfintech goFlux, plataforma digital de cotação, negociação, contratação e gestão de fretes rodoviários que vem revolucionando o segmento de transportes, conta com a colaboração da PWC Agtech Innovation, um dos principais hubs de inovação do Agronegócio. A programação terá a apresentação da especialista em IA, Priscila Lucas, Coordenadora Dados e IA na goFlux, que fará uma abordagem sobre o tema com importantes insights, com destaque para soluções como View, ferramenta que pode impulsionar a tomada de decisão com dados precisos e análises avançadas.
O View, é uma solução integrada à plataforma de contratação da goFlux que traz inteligência preditiva e permite uma visão futura de patamares de fretes do mercado. Com uma base de dados muito rica de informações, análises comparativas e projeções de valores de mercado (tarifas), a empresa utiliza além da IA, tecnologias como big data e algoritmos de machine learning. Tudo isso aliado à experiência do time de especialistas da logfintech.
A plataforma opera com dados reais, fretes performados e traz credibilidade para o negócio. Ainda dispõe de índices macroeconômicos, cotação das principais commodities, petróleo, juros e inflação, entre outras. “Utilizando o View, as empresas terão a oportunidade de estar um passo à frente quando falamos de variabilidade de preços de fretes”, diz a coordenadora.
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O evento que será realizado para um seleto público, em sua maioria embarcadores e tomadores de decisões dos mais diversos segmentos de atuação, contará ainda em sua programação com a participação de dois convidados especiais. O primeiro deles será Thiago Holanda da BITI9, empresa especialista em transformar companhias de grande porte, automatizando processos manuais e repetitivos e implementando uma cultura de produtividade e inovação sustentável.
O outro destaque será internacional, trata-se do executivo Will Pole da (Capria Investimentos), fundo norte americano que investe em aplicação de tecnologias, e que recentemente fez um aporte na goFlux. Ele fará uma abordagem sobre Aplicações de IA Generativa em Fretes. O evento contará também com uma Roda de Conversa com o tema: Desafios e Oportunidades na Implementação de IA no Frete. “Eventos como este nos trazem a oportunidade de discutir e aprofundar no tema sob a perspectiva de diferentes stakeholders”, afirma Luis Martinez, CSO na goFlux.
Sobre a goFlux
Sediada em São Paulo, capital, a goFlux é uma logfintech que surgiu em 2018 fruto da expertise de fundadores experientes em logística que desenvolveram uma plataforma totalmente digital para cotação, negociação, contratação e gestão de fretes rodoviários. A solução vem revolucionando a forma de contratar fretes e impulsionando a competitividade no segmento de transportes, principalmente do agronegócio. Saiba mais em www.goflux.com.br.
Destaque
2025: um ano que colocou à prova a resiliência do setor florestal
*Por Fabio Brun
Encerramos 2025 com a sensação de que atravessamos um período marcado por contrastes. O ano começou com expectativas de expansão, investimentos e demanda aquecida pelos produtos de base florestal. Tudo indicava um ciclo promissor: nossas empresas se preparavam para ampliar produção, o comércio internacional apontava para estabilidade e o Brasil fortalecia sua posição como referência global em manejo florestal sustentável. Parecia que estávamos diante de um dos melhores períodos da década.
Mas a realidade mudou abruptamente. O chamado tarifaço adotado pelo governo dos Estados Unidos atingiu em cheio nossa competitividade. As tarifas, inicialmente de 10% a partir de abril e elevadas para 50% em agosto, criaram um desequilíbrio comercial imediato.
A consequência todos conhecem: suspensão temporária de atividades, férias coletivas, lay off e demissões que podem chegar a 10 mil trabalhadores até o fim de 2025. Nenhum setor absorve um impacto dessa magnitude sem consequências sociais e econômicas profundas, especialmente em estados como o Paraná, onde a atividade florestal é parte estrutural da economia. Somos fontes de geração de emprego e renda. No Paraná, mantemos cerca de 109 mil empregos diretos e mais de 400 mil indiretos.
É importante reconhecer que, mesmo em meio a esse cenário desafiador, o setor demonstrou o que sempre nos definiu: resiliência. E isso se reflete em outros números importantes. Mesmo com a crise, o Paraná preservou sua vice-liderança no valor da produção florestal, alcançando R$ 6,9 bilhões em 2024, um crescimento superior a 20% em comparação ao ano anterior.
Ocupamos o segundo lugar nacional em área plantada de pinus, com um alto nível tecnológico em toda a cadeia produtiva. No total, o Paraná possui cerca de 1,17 milhão de hectares plantados, sendo 710.836,77 hectares de pinus, 438.721,37 hectares de eucalipto e 6.486,96 ha de araucária.
Há um outro fator a ser compreendido nesse ano de 2025. O mundo voltou seu olhar para as florestas como vetor de desenvolvimento sustentável, inovação industrial e geração de riqueza. Durante a COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, o Banco Mundial reforçou o papel do setor florestal como potencial fomentador de emprego e de estabilidade econômica. Não falamos de projeções teóricas, mas de uma realidade vivida diariamente nas comunidades onde nossas empresas estão inseridas.
Se 2025 foi um ano de adversidades, também foi um período de reafirmação da relevância do nosso setor no Brasil e no exterior. A APRE manteve-se firme na interlocução com o poder público, reforçou pontes com universidades e consolidou sua imagem como referência em qualidade e responsabilidade ambiental.
Seguimos investindo em inovação, em silvicultura de alta performance e na promoção da madeira como material estratégico para o futuro, que exige sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento social alinhados.
Ao olhar para 2026, faço isso com senso de responsabilidade, mas também com confiança. O próximo ano marca os 120 anos da introdução do pinus no Brasil, espécie que moldou vocações regionais, impulsionou cadeias produtivas e contribuiu para posicionar nosso país no mapa florestal global. Será um ano simbólico, que convida a refletir sobre o passado e, principalmente, sobre o caminho que ainda temos a construir.
A busca pela segurança jurídica para o desenvolvimento da nossa atividade seguirá como prioridade, assim como a defesa da competitividade das nossas empresas. Mas também será o momento de avançar em agendas estruturantes: inovação aplicada ao manejo, ampliação do uso da madeira na construção civil, estímulo a novos arranjos industriais e fortalecimento da bioeconomia florestal.
A floresta cresce em silêncio, enfrentando vento, frio, seca e até decisões políticas imprevisíveis. E, mesmo assim, segue firme. É um símbolo perfeito do que nos caracteriza: adaptabilidade, consistência e visão de longo prazo.
Que 2026 nos encontre unidos, determinados e confiantes. Se a floresta não para de crescer, nós também não.
*Fabio Brun é presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas).
Destaque
Pesquisadores desenvolvem solução que promete otimizar viabilidade econômica da cadeia produtiva de lúpulo no Brasil
Extração com CO₂ supercrítico aumenta rendimento e potencial de uso do lúpulo brasileiro
Essencial para a produção de cerveja, o lúpulo (Humulus lupulus) é responsável por conferir aroma e amargor característicos à bebida, graças à presença de lupulina, um pó rico em α-ácidos e óleos essenciais. Com a expansão da indústria de cerveja artesanal, o cultivo de lúpulo no Brasil vem ganhando destaque, impulsionado pela criação de viveiros certificados e pelo crescimento da demanda interna e internacional, que alcançou valores de até US$ 60 por quilo em 2025.
Apesar do avanço, desafios logísticos e produtivos ainda limitam a competitividade do cultivo nacional. Buscando alternativas tecnológicas para aumentar a eficiência da cadeia, pesquisadores avaliaram o uso da extração com fluido supercrítico de CO₂ (SFE-CO₂) em lúpulos peletizados fornecidos pela empresa Atlântica Hops (Juquiá-SP). O objetivo foi comparar o método com a extração convencional e explorar o potencial de aproveitamento dos subprodutos dentro do conceito de biorrefinaria.
Com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a pesquisa alcançou resultados que apontam ganhos expressivos. Enquanto a extração tradicional apresentou rendimento de 15% e teor de 9% de α-ácidos, o processo com CO₂ supercrítico atingiu 72% de α-ácidos, além de gerar extratos mais concentrados e de fácil armazenamento. Na aplicação cervejeira, o método rendeu um aumento de 20% na produção, evidenciando sua viabilidade comercial e sustentabilidade operacional.
O estudo também analisou o chamado “lúpulo gasto”, material residual após a extração, que demonstrou elevada atividade antioxidante e presença significativa de carotenoides, flavonoides e compostos fenólicos, características que ampliam seu potencial como matéria-prima para bioprodutos de valor agregado, como ingredientes cosméticos e nutracêuticos.
De acordo com os pesquisadores, a tecnologia de extração supercrítica com CO₂ representa uma oportunidade promissora para a cadeia do lúpulo no Brasil, contribuindo para otimizar a viabilidade econômica do cultivo e fomentar a criação de novos mercados baseados na bioeconomia.
Os resultados da pesquisa ganharam destaque na esfera acadêmica internacional através da publicação na revista científica Springer Nature: https://link.springer.com/article/10.1007/s13399-025-06903-z.
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Produção de etanol de milho cresce, mas disputa por biomassa ameaça ritmo das usinas
Mercado aquece e expõe gargalos energéticos que podem definir a competitividade de novos projetos da próxima safra
Com a produção brasileira de etanol de milho projetada para alcançar 10 bilhões de litros até o final de 2025, segundo dados da Unem, o setor entra em uma fase de expansão que vem reconfigurando o mapa industrial do país. O avanço, porém, expõe um desafio que até pouco tempo era secundário e agora se torna decisivo para a competitividade das plantas: garantir energia térmica confiável, barata e sustentável para assegurar a operação crescente das usinas.
A demanda por biomassa já dá sinais de pressão em polos importantes do Centro-Oeste, onde projetos de etanol, fertilizantes, processamento de grãos e indústrias madeireiras passaram a disputar o mesmo insumo. Em algumas regiões, agentes do setor já falam abertamente sobre o risco de “estreitamento de oferta”, fenômeno equivalente a um possível apagão de biomassa em períodos de alta demanda.
Um ponto sensível nesse contexto é a energia térmica, já que o vapor é o responsável por sustentar etapas críticas do processo industrial e responde por grande parte do custo operacional. Sem previsibilidade de preço e de suprimento, qualquer oscilação impacta diretamente margens e produtividade.
A alternativa que começa a ganhar tração no setor é a adoção de soluções térmicas flexíveis, capazes de operar com múltiplas biomassas ao longo do ano, reduzindo o risco de escassez e garantindo a continuidade da operação. Em alguns projetos industriais, já existem caldeiras aptas a trabalhar com até 14 tipos diferentes de biomassa, incluindo cavaco de madeira, bagaço de culturas regionais e resíduos agrícolas.
Nesse cenário, empresas especializadas na gestão de energia térmica passam a ocupar um espaço relevante. A ComBio, por exemplo, opera unidades dedicadas dentro de diferentes plantas industriais, assumindo integralmente a responsabilidade por suprimento, operação e desempenho das caldeiras. O modelo surgiu como alternativa para mitigar a volatilidade no mercado de biomassa e dar previsibilidade a setores que dependem de grandes volumes de vapor. Na prática, a empresa funciona como uma gestora térmica de longo prazo, capaz de adaptar a matriz de combustível conforme a disponibilidade regional e reduzir o impacto das oscilações do mercado.
Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, essa flexibilidade deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica de segurança energética: “Para o produtor de etanol de milho, a atenção ao suprimento de biomassa é vital, pois a usina simplesmente não funciona sem ela. Em várias regiões do país, já há um risco concreto de escassez desse insumo. Por isso, adotar caldeiras que operem com diferentes tipos de biomassa deixou de ser opção e se tornou uma exigência para garantir segurança e continuidade operacional”.
O consumo elevado do setor também exige novas formas de organizar a cadeia. Uma única usina pode demandar 300 mil a 400 mil toneladas de biomassa por ano, volume que pressionará ainda mais o mercado conforme novos projetos entrem em operação. Para garantir estabilidade, especialistas defendem o uso de contratos de longo prazo, rastreabilidade da origem da biomassa e desenvolvimento de novas cadeias regionais.
A discussão energética também se conecta à pauta climática. Em 2024, soluções térmicas baseadas em biomassa evitaram a emissão de centenas de milhares de toneladas de CO₂ no país, reforçando a narrativa de sustentabilidade que acompanha a expansão do etanol de milho.
Para Blandy, o setor vive um momento de tomada de decisão estratégica. “Vale a pena pensar em flexibilidade e em desenvolver novas biomassas. A região que hoje não tem oferta pode ter daqui a cinco ou dez anos. E o projeto térmico precisa estar preparado para isso”, afirma.
Com novos projetos prestes a sair do papel e a competição global por biocombustíveis de baixo carbono aumentando, a forma como o setor lidará com sua matriz térmica pode definir não apenas o ritmo de expansão, mas quem conseguirá manter competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
