Destaque
15º Brasil AgrochemShow 2024 é destaque importante para o Agronegócio
Evento acontecerá em agosto e inscrições já estão abertas
A AllierBrasil Consulting e o CCPIT CHEM, instituição governamental da China, anunciam o 15º Brasil AgrochemShow 2024, um evento imperdível para os profissionais do Agronegócio do Brasil. O evento, que acontece nos dias 13 e 14 de agosto no Expo Center Norte, tem o objetivo de promover o setor, além de desenvolver parcerias técnico-comerciais entre empresas estrangeiras e locais, disseminar conhecimento através de palestras especializadas e apresentar o mercado brasileiro para empresas estrangeiras e potenciais parceiros, destacando-se como uma plataforma essencial para o meio.
A 15ª edição do Brasil AgrochemShow contará com a presença de empresas e representantes de países, como China, Índia, Canadá, Japão, França, Alemanha, Brasil e demais países da América Latina. “Nosso evento é pioneiro em promover este networking com empresas asiáticas, e foi o ponto de partida para muitas empresas chinesas e da Índia, hoje bem estabelecidas por aqui, com registros de produtos aprovados e equipes de vendas consolidadas”, afirma Flávio Hirata, criador e organizador do evento.
Voltado para fabricantes, formuladores, distribuidores, traders, agentes, pesquisadores, fiscais e consultores, o evento proporciona uma ampla gama de atividades e oportunidades de negócios e networking. Além de contar com muitas empresas do setor, que vão de pesticidas, fertilizantes, fertilizantes especiais e biopesticidas, ainda agrega uma boa gama de serviços do AGRO, como laboratórios, logística, seguros, consultoria e serviços financeiros.
O evento, que este ano debuta, completando sua 15ª edição, vem crescendo ano a ano. Em 2023, a feira foi visitada por 600 participantes e contou com 77 expositores, e espera ainda agregar mais participantes neste ano. Para participar do evento, os visitantes devem doar cestas básicas à instituição de caridade ‘Crê-Ser’.
“Em 2023, foram arrecadadas 11 toneladas de alimentos, e esperamos superar esse número em 2024”, revela Flávio Hirata, responsável pela iniciativa.
Temas e Palestrantes do 15º AgrochemShow
13/08 – 8h30 às 20h30
8h30 – Abertura
9h – Palestras
Prioridades e desafios da Secretaria de Defesa Agropecuária
Carlos Goulart
Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária. Engenheiro agrônomo pela UFSCar e mestre em fitossanidade pelo Instituto Agronômico de Campinas.
Panorama, tendências e desafios no mercado de pesticidas
Filipe Guimarães
Diretor de marketing de produtos América Latina na Syngenta Crop Protection. Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Paraná, com MBA pela Business School São Paulo.
Manejo integrado de pragas na cultura da soja
Adeney de Freitas Bueno
Chefe de P&D da Embrapa Soja, pesquisador e orientador de pós-graduação em entomologia pela UFPR. Engenheiro agrônomo, mestre em agronomia pela Unesp e doutorado em entomologia pela USP.
Cenário econômico do Brasil
Luiz Fernando Figueiredo
Chairman da Jive Investments e fundador da Mauá Capital, ex-diretor de política monetária do Banco Central do Brasil. Formado em administração de empresas, com especialização em finanças pela Fundação Armando Alvares Penteado.
Registro de pesticidas: tempo, ação judicial, nova lei
Flavio Hirata
Sócio da AllierBrasil. Engenheiro agrônomo pela Esalq/USP, especialista em registro de pesticidas.
12h – Almoço
13h/17h – Exposição
18h15/20h30 – Coquetel
14/8 – 13hs às 17h30
8h30/12h – Exposição
12h – Almoço
13h/17h30 – Palestras e Exposição
Expansão da coopercitrus e o futuro das cooperativas no agro
Fernando Degobbi Sambonovich
Diretor presidente da Coopercitrus – Cooperativa de Produtores Rurais. Engenheiro agrícola pela Universidade Federal de Lavras, com especialização em gestão pela Fundação Dom Cabral, especialista em marketing pela Fundação Getúlio Vargas.
Uso racional de fertilizantes
Godofredo Vitti
Pesquisador e professor de adubos, adubação e fertilidade do solo na Esalq/USP, sócio proprietário da Vittagro Engenharia. Engenheiro agrônomo, mestre em produção vegetal pela Unesp, doutor em solos e nutrição de plantas pela USP.
Dinâmica ambiental de herbicidas
Paulo Vinicius da Silva
Professor de biologia e manejo de plantas daninhas da Universidade Federal da Grande Dourados, líder do Grupo de Estudos de Plantas Daninhas – Geplad. Engenheiro agrônomo e mestre na área de plantas daninhas pela UFSCar e doutor em fitotecnia pela ESALQ/USP.
Inteligência Artificial, Crédito e Agronegócio
Aline Oliveira Pezente
Cofundadora e Diretora Chefe do Departamento de Produtos da Traive, empresa de tecnologia para produtos financeiros no agronegócio com IA proprietária. Administradora de empresas pelo Makenzie, e mestre em Tecnologia e Certificações e em Análise de Dados, ambos pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
Registro de pesticidas no Peru
Vanessa Del Polar Mendonza Soto
Gerente geral na Agro Advice Perú SAC. Engenheira agrônoma pela Universidad Nacional Agraria La Molina, Peru, e mestranda em desenvolvimento do meio ambiente na Pontifícia Universidad Católica del Perú.
Panorama da indústria de pesticidas e biopesticidas na China
Jalen Fan
Vice-diretor da Divisão 1 do CCPIT CHEM. Engenheiro agrônomo e mestre em extensão agrícola pela China Academy of Agriculture Science, China.
Evolução da indústria de agroquímicos na China
Zang Jinlong
Pesquisador independente, com 19 anos de experiência em marketing e gestão de negócios de agroquímicos na China. Bacharel em ciência e engenharia de materiais pela Universidade de Tecnologia de Zhejiang, China.
15º AgrochemShow
Data: 13 e 14/08
Local: Expo Center Norte
Rua José Bernardo Pinto, 333 – São Paulo/SP
As inscrições para o evento acontecerão através do link: .:15° Brasil Agrochemshow:. (allierbrasil.com.br)
Sobre a Allier Consulting
AllierBrasil Consulting é uma consultoria especializada em registro de pesticidas, mercado e desenvolvimento de parcerias técnico-comerciais, enquanto a CCPIT CHEM tem como objetivo promover o desenvolvimento de empresas no exterior. A AllierBrasil Consulting também é organizadora do Fórum AllierBrasil nos países Índia, China, Japão e Brasil.
Destaque
2025: um ano que colocou à prova a resiliência do setor florestal
*Por Fabio Brun
Encerramos 2025 com a sensação de que atravessamos um período marcado por contrastes. O ano começou com expectativas de expansão, investimentos e demanda aquecida pelos produtos de base florestal. Tudo indicava um ciclo promissor: nossas empresas se preparavam para ampliar produção, o comércio internacional apontava para estabilidade e o Brasil fortalecia sua posição como referência global em manejo florestal sustentável. Parecia que estávamos diante de um dos melhores períodos da década.
Mas a realidade mudou abruptamente. O chamado tarifaço adotado pelo governo dos Estados Unidos atingiu em cheio nossa competitividade. As tarifas, inicialmente de 10% a partir de abril e elevadas para 50% em agosto, criaram um desequilíbrio comercial imediato.
A consequência todos conhecem: suspensão temporária de atividades, férias coletivas, lay off e demissões que podem chegar a 10 mil trabalhadores até o fim de 2025. Nenhum setor absorve um impacto dessa magnitude sem consequências sociais e econômicas profundas, especialmente em estados como o Paraná, onde a atividade florestal é parte estrutural da economia. Somos fontes de geração de emprego e renda. No Paraná, mantemos cerca de 109 mil empregos diretos e mais de 400 mil indiretos.
É importante reconhecer que, mesmo em meio a esse cenário desafiador, o setor demonstrou o que sempre nos definiu: resiliência. E isso se reflete em outros números importantes. Mesmo com a crise, o Paraná preservou sua vice-liderança no valor da produção florestal, alcançando R$ 6,9 bilhões em 2024, um crescimento superior a 20% em comparação ao ano anterior.
Ocupamos o segundo lugar nacional em área plantada de pinus, com um alto nível tecnológico em toda a cadeia produtiva. No total, o Paraná possui cerca de 1,17 milhão de hectares plantados, sendo 710.836,77 hectares de pinus, 438.721,37 hectares de eucalipto e 6.486,96 ha de araucária.
Há um outro fator a ser compreendido nesse ano de 2025. O mundo voltou seu olhar para as florestas como vetor de desenvolvimento sustentável, inovação industrial e geração de riqueza. Durante a COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, o Banco Mundial reforçou o papel do setor florestal como potencial fomentador de emprego e de estabilidade econômica. Não falamos de projeções teóricas, mas de uma realidade vivida diariamente nas comunidades onde nossas empresas estão inseridas.
Se 2025 foi um ano de adversidades, também foi um período de reafirmação da relevância do nosso setor no Brasil e no exterior. A APRE manteve-se firme na interlocução com o poder público, reforçou pontes com universidades e consolidou sua imagem como referência em qualidade e responsabilidade ambiental.
Seguimos investindo em inovação, em silvicultura de alta performance e na promoção da madeira como material estratégico para o futuro, que exige sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento social alinhados.
Ao olhar para 2026, faço isso com senso de responsabilidade, mas também com confiança. O próximo ano marca os 120 anos da introdução do pinus no Brasil, espécie que moldou vocações regionais, impulsionou cadeias produtivas e contribuiu para posicionar nosso país no mapa florestal global. Será um ano simbólico, que convida a refletir sobre o passado e, principalmente, sobre o caminho que ainda temos a construir.
A busca pela segurança jurídica para o desenvolvimento da nossa atividade seguirá como prioridade, assim como a defesa da competitividade das nossas empresas. Mas também será o momento de avançar em agendas estruturantes: inovação aplicada ao manejo, ampliação do uso da madeira na construção civil, estímulo a novos arranjos industriais e fortalecimento da bioeconomia florestal.
A floresta cresce em silêncio, enfrentando vento, frio, seca e até decisões políticas imprevisíveis. E, mesmo assim, segue firme. É um símbolo perfeito do que nos caracteriza: adaptabilidade, consistência e visão de longo prazo.
Que 2026 nos encontre unidos, determinados e confiantes. Se a floresta não para de crescer, nós também não.
*Fabio Brun é presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas).
Destaque
Pesquisadores desenvolvem solução que promete otimizar viabilidade econômica da cadeia produtiva de lúpulo no Brasil
Extração com CO₂ supercrítico aumenta rendimento e potencial de uso do lúpulo brasileiro
Essencial para a produção de cerveja, o lúpulo (Humulus lupulus) é responsável por conferir aroma e amargor característicos à bebida, graças à presença de lupulina, um pó rico em α-ácidos e óleos essenciais. Com a expansão da indústria de cerveja artesanal, o cultivo de lúpulo no Brasil vem ganhando destaque, impulsionado pela criação de viveiros certificados e pelo crescimento da demanda interna e internacional, que alcançou valores de até US$ 60 por quilo em 2025.
Apesar do avanço, desafios logísticos e produtivos ainda limitam a competitividade do cultivo nacional. Buscando alternativas tecnológicas para aumentar a eficiência da cadeia, pesquisadores avaliaram o uso da extração com fluido supercrítico de CO₂ (SFE-CO₂) em lúpulos peletizados fornecidos pela empresa Atlântica Hops (Juquiá-SP). O objetivo foi comparar o método com a extração convencional e explorar o potencial de aproveitamento dos subprodutos dentro do conceito de biorrefinaria.
Com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a pesquisa alcançou resultados que apontam ganhos expressivos. Enquanto a extração tradicional apresentou rendimento de 15% e teor de 9% de α-ácidos, o processo com CO₂ supercrítico atingiu 72% de α-ácidos, além de gerar extratos mais concentrados e de fácil armazenamento. Na aplicação cervejeira, o método rendeu um aumento de 20% na produção, evidenciando sua viabilidade comercial e sustentabilidade operacional.
O estudo também analisou o chamado “lúpulo gasto”, material residual após a extração, que demonstrou elevada atividade antioxidante e presença significativa de carotenoides, flavonoides e compostos fenólicos, características que ampliam seu potencial como matéria-prima para bioprodutos de valor agregado, como ingredientes cosméticos e nutracêuticos.
De acordo com os pesquisadores, a tecnologia de extração supercrítica com CO₂ representa uma oportunidade promissora para a cadeia do lúpulo no Brasil, contribuindo para otimizar a viabilidade econômica do cultivo e fomentar a criação de novos mercados baseados na bioeconomia.
Os resultados da pesquisa ganharam destaque na esfera acadêmica internacional através da publicação na revista científica Springer Nature: https://link.springer.com/article/10.1007/s13399-025-06903-z.
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Produção de etanol de milho cresce, mas disputa por biomassa ameaça ritmo das usinas
Mercado aquece e expõe gargalos energéticos que podem definir a competitividade de novos projetos da próxima safra
Com a produção brasileira de etanol de milho projetada para alcançar 10 bilhões de litros até o final de 2025, segundo dados da Unem, o setor entra em uma fase de expansão que vem reconfigurando o mapa industrial do país. O avanço, porém, expõe um desafio que até pouco tempo era secundário e agora se torna decisivo para a competitividade das plantas: garantir energia térmica confiável, barata e sustentável para assegurar a operação crescente das usinas.
A demanda por biomassa já dá sinais de pressão em polos importantes do Centro-Oeste, onde projetos de etanol, fertilizantes, processamento de grãos e indústrias madeireiras passaram a disputar o mesmo insumo. Em algumas regiões, agentes do setor já falam abertamente sobre o risco de “estreitamento de oferta”, fenômeno equivalente a um possível apagão de biomassa em períodos de alta demanda.
Um ponto sensível nesse contexto é a energia térmica, já que o vapor é o responsável por sustentar etapas críticas do processo industrial e responde por grande parte do custo operacional. Sem previsibilidade de preço e de suprimento, qualquer oscilação impacta diretamente margens e produtividade.
A alternativa que começa a ganhar tração no setor é a adoção de soluções térmicas flexíveis, capazes de operar com múltiplas biomassas ao longo do ano, reduzindo o risco de escassez e garantindo a continuidade da operação. Em alguns projetos industriais, já existem caldeiras aptas a trabalhar com até 14 tipos diferentes de biomassa, incluindo cavaco de madeira, bagaço de culturas regionais e resíduos agrícolas.
Nesse cenário, empresas especializadas na gestão de energia térmica passam a ocupar um espaço relevante. A ComBio, por exemplo, opera unidades dedicadas dentro de diferentes plantas industriais, assumindo integralmente a responsabilidade por suprimento, operação e desempenho das caldeiras. O modelo surgiu como alternativa para mitigar a volatilidade no mercado de biomassa e dar previsibilidade a setores que dependem de grandes volumes de vapor. Na prática, a empresa funciona como uma gestora térmica de longo prazo, capaz de adaptar a matriz de combustível conforme a disponibilidade regional e reduzir o impacto das oscilações do mercado.
Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, essa flexibilidade deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica de segurança energética: “Para o produtor de etanol de milho, a atenção ao suprimento de biomassa é vital, pois a usina simplesmente não funciona sem ela. Em várias regiões do país, já há um risco concreto de escassez desse insumo. Por isso, adotar caldeiras que operem com diferentes tipos de biomassa deixou de ser opção e se tornou uma exigência para garantir segurança e continuidade operacional”.
O consumo elevado do setor também exige novas formas de organizar a cadeia. Uma única usina pode demandar 300 mil a 400 mil toneladas de biomassa por ano, volume que pressionará ainda mais o mercado conforme novos projetos entrem em operação. Para garantir estabilidade, especialistas defendem o uso de contratos de longo prazo, rastreabilidade da origem da biomassa e desenvolvimento de novas cadeias regionais.
A discussão energética também se conecta à pauta climática. Em 2024, soluções térmicas baseadas em biomassa evitaram a emissão de centenas de milhares de toneladas de CO₂ no país, reforçando a narrativa de sustentabilidade que acompanha a expansão do etanol de milho.
Para Blandy, o setor vive um momento de tomada de decisão estratégica. “Vale a pena pensar em flexibilidade e em desenvolver novas biomassas. A região que hoje não tem oferta pode ter daqui a cinco ou dez anos. E o projeto térmico precisa estar preparado para isso”, afirma.
Com novos projetos prestes a sair do papel e a competição global por biocombustíveis de baixo carbono aumentando, a forma como o setor lidará com sua matriz térmica pode definir não apenas o ritmo de expansão, mas quem conseguirá manter competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
