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Governo do Paraná adota medidas visando fomentar o agronegócio através de FIDCs

Imagem: Freepik

Incentivo à criação de fundos por parte de cooperativas e empresas, e a possibilidade de transferências de créditos de ICMS por meio desses fundos devem impulsionar o setor no Estado

O governo paranaense realizou recentemente duas importantes medidas para fomentar a cadeia produtiva do agronegócio local por meio dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direito Creditório), segundo destaca o Martinelli Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia do País, que atua junto a diversas empresas do setor. 

A primeira medida foi a publicação de uma chamada para selecionar FIDCs para receberem recursos do programa Fomenta Paraná. A outra, tomada na área tributária, altera regras para permitir a transferência de créditos de ICMS recebidos de terceiros por meio desses fundos.

“Foram duas importantes ações do governo paranaense no sentido de impulsionar o agronegócio do Estado, incentivando que as cooperativas agrícolas, agroindústrias e demais fornecedores estruturem FIDCs próprios, e trazendo possibilidades de habilitação de créditos de ICMS para os proponentes que fizerem investimentos nessas estruturas de fundos”, explica Walter Fritzke, Head de Mercado de Capitais do Martinelli. 

A chamada de seleção dos fundos tem como objetivo permitir que cooperativas, empresas agrícolas e demais fornecedores do agronegócio busquem estruturar fundos próprios para captar recursos da Fomento Paraná, do mercado financeiro e via capital próprio, visando oferecer crédito a pessoas físicas ou jurídicas ligadas ao agronegócio, em projetos de investimentos localizados, exclusivamente, no território paranaense.

A Fomento Paraná irá avaliar propostas enviadas por gestores até 15 de agosto, seguindo regras e parâmetros definidos no edital. O recurso investido nesses fundos será exclusivamente em cotas seniores e representará de 14% a 20% do fundo, com remuneração esperada de 4% ao ano. O montante investido poderá variar do mínimo de R$ 30 milhões até o máximo de R$ 80 milhões por fundo. Há a limitação de R$ 350 milhões a serem aplicados por gestora de investimento.

“Além do capital da Fomento Paraná, o restante do capital investido no fundo poderá vir exclusivamente do proponente do projeto, em percentual de 80% a 86% do fundo, em cotas subordinadas, ou ainda haver captação de parte desse recurso no mercado financeiro em cotas mezanino, perfazendo a subordinação conjunta acima citada”, observa Walter.

A estimativa de duração do fundo será de 10 anos, com a intenção de financiar, em sua maioria, operações de CAPEX, com limite mínimo de 80% do patrimônio líquido do fundo, sendo que o ativo financiado deve estar localizado no Estado do Paraná. Para participar dessa chamada pública, o fundo já deve estar em fase pré-operacional ou em fase de constituição, com prestadores de serviços definidos, assim como toda a documentação legal pré-definida, seguindo os critérios estabelecidos na chamada pública. 

Decreto sobre a transferência de créditos

Dias após o governo paranaense anunciar a chamada de seleção dos fundos, conforme esperado, foi publicado o decreto 10.500/2025 viabilizando a transferência de créditos acumulados de ICMS da conta de FIDCs no âmbito do Siscred (Sistema de Controle de Transferência e Utilização dos Créditos Acumulados).

Com esta alteração, empresas que adquirirem cotas de FIDCs voltados ao setor agroindustrial, mesmo que não possua créditos próprios de ICMS habilitados no Siscred, poderão transferir créditos recebidos de terceiros, desde que previamente habilitados.

Entre os pontos destacados pelo Martinelli neste decreto, está o fato de que os créditos habilitados recebidos de terceiros deverão ser transferidos aos destinatários em 36 parcelas mensais e iguais. Caso o valor do crédito habilitado no Siscred seja inferior ao valor adquirido em cotas do FIDC, poderá ser autorizada a transferência da diferença com crédito habilitado recebido de terceiro.

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IA alavanca inovações no agronegócio com foco na sustentabilidade

Imagem: Freepik

Biotecnologia alia o que há de mais avançado para tornar mais rápida e eficaz o desenvolvimento de soluções que aumentem a produtividade no campo

Combinando ciência de ponta, inovação e uso de alta tecnologia, como Inteligência Artificial e Machine Learning, a biotecnologia contribui para a criação de soluções mais sustentáveis na produção de alimentos, ao mesmo tempo em que gera benefícios para os produtores e desenvolvedores de tecnologia. Estudo da CropLife Brasil e da Agroconsult estima que, nos últimos 25 anos, a biotecnologia tenha gerado R$ 143,5 bilhões de receita extra para o agronegócio brasileiro.

O Brasil se destaca no cenário global como um dos maiores produtores de grãos, biodiversidade única, ciência de alta qualidade e um mercado maduro para fundos de investimentos em biotecnologia. Esse ambiente favorável torna o país um potencial líder no setor de biotecnologia agrícola, promovendo a ascensão das agtechs – startups especializadas em biotecnologia para o agronegócio.

Uma delas é a InEdita Bio, fundada no final de 2021 e que reúne uma equipe de jovens cientistas com sólida expertise em biotecnologia agrícola, particularmente em edição genômica. O foco principal da empresa é desenvolver traits de alto impacto em culturas globais visando aumentar a sustentabilidade da produção de alimentos

A disrupção proposta pela empresa de inteligência em Life Science é editar genes chaves da própria planta para promover a melhoria de qualquer característica agronômica desejável. Uma abordagem diferente dos transgênicos, que alteram o genoma da planta com a introdução de genes provenientes de outra espécie. A InEdita Bio já possui patentes depositadas no USPTO, que protegem suas plataformas disruptivas de edição genômica. Através destas plataformas, é possível desenvolver variedades resistentes a pragas e doenças, com maior capacidade de fixação biológica de nitrogênio, e também mais resilientes à seca e altas temperaturas.

IA como motor da edição genômica

Entre suas inovações, destaca-se a plataforma On TargetTM, uma solução proprietária de bioinformática que utiliza IA e machine learning para gerar RNAs regulatórios únicos. Essa plataforma é especialmente útil para silenciar múltiplos genes essenciais de patógenos e pragas, reduzindo significativamente a probabilidade de desenvolvimento de resistência.

“Comparo a edição genômica ao processo de editar um texto. Não reescrevemos ou adicionamos nada, apenas corrigimos pequenas partes para que o todo fique melhor. Essa edição é possível através das nossas plataformas, que podem ser utilizadas com qualquer método de transfecção celular, incluindo tecnologias que utilizam ferramentas biológicas como a Agrobacterium tumefaciens, ou ferramentas físicas como o bombardeamento com micropartículas ou o uso de nanotubos de carbono”, afirma Paulo Arruda, sócio-fundador da biotech.

Nova geração de biológicos

Outra empresa que aposta com força no potencial da IA é a Symbiomics, que aplica ferramentas de inteligência artificial, machine learning e genômica avançada para desenvolver a nova geração de produtos biológicos para o agronegócio. O uso em conjunto dessas tecnologias permite o desenvolvimento, por parte da empresa, de algoritmos altamente eficientes para a seleção de combinações mais robustas de microrganismos com a finalidade de melhorar a nutrição das plantas, controlar pragas de forma mais efetiva e contribuir para a regeneração do solo.

“A maioria dos biológicos comercializados atualmente ainda se utiliza de cepas semelhantes ou idênticas, obtidas a partir de tecnologias tradicionais. Por isso, parte do trabalho desenvolvido pela Symbiomics é o de encontrar microrganismos ainda pouco explorados e que apresentem alto potencial biotecnológico, para múltiplas aplicações no agro. Com isso, estamos desenvolvendo biológicos de nova geração para oferecer ao mercado alternativas inovadoras e eficazes no campo”, afirma Jader Armanhi, COO e cofundador da Symbiomics.

Para a Symbiomics, as ferramentas computacionais, que avançam a passos acelerados, são essenciais na construção de tecnologias disruptivas. A empresa trabalha no desenho de SynComs (do inglês, synthetic communities), como são chamados por ela, que são combinações sinérgicas de microrganismos desenhadas por análises computacionais. Os SynComs têm por objetivo mimetizar, de forma simplificada, as comunidades microbianas eficientes que existem em associação com determinadas plantas em ambientes naturais.

E a tecnologia é aliada principal para o avanço e a diversificação desse mercado. Sua plataforma tecnológica permite prospectar e analisar por completo, de maneira rápida e precisa, milhares de cepas microbianas, identificando aquelas com maior potencial na biodisponibilização de nutrientes, no controle biológico, ou mesmo como bioestimulantes vegetais. Em casos específicos, os algoritmos de análises, aliados a ferramentas avançadas de biologia molecular, também permitem a edição do DNA microbiano para potencializar ainda mais algumas das características benéficas encontradas.

A aposta por bioinsumos, além de mais sustentável para o meio ambiente e a saúde humana, também é estratégica para o produtor. Um estudo publicado em 2024 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, em parceria com o setor privado, estima que a adoção de bioinsumos em gramíneas (como trigo, arroz, milho e cana-de-açúcar) poderia gerar uma economia de até US$ 5,1 bilhões anuais para o agronegócio brasileiro, além de reduzir até 18,5 milhões de toneladas de emissões de CO₂ ao substituir os fertilizantes tradicionais. No geral, segundo projeções da DunhamTrimmer – International Bio Intelligence, referência internacional em inteligência de mercado no setor de bioinsumos, o Brasil movimenta mais de US$ 1,5 bilhão no mercado de bioinsumos, com potencial de superar o valor de US$ 3 bilhões até o final da década. “A IA redefine os limites da produtividade e abre caminho para um campo mais eficiente, diverso e conectado ao futuro”, finaliza Jader.

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Brasil recebe delegação argentina para intercâmbio técnico na cadeia do amendoim

Tour del Maní Colombo percorre polos produtivos de amendoim do interior paulista (Crédito - Divulgação)

Tour del Maní Colombo acontece de 15 a 20 de março e percorre polos produtivos do interior paulista para troca de conhecimento sobre mecanização e sistemas agrícolas

A iniciativa reúne cerca de 40 argentinos, em uma agenda técnica voltada ao intercâmbio de conhecimento sobre a cadeia produtiva do amendoim no Estado de São Paulo, que concentra 86% da produção nacional de amendoim. Dados do Instituto de Economia Agrícola indicam que a safra de 2025 alcançou 180 mil toneladas exportadas pelo país, crescimento de 26% em relação ao ciclo anterior, com faturamento de US$ 222 milhões.

O Tour del Maní Colombo tem como objetivo promover a troca de experiências entre produtores brasileiros e argentinos, apresentando diferentes etapas da cadeia produtiva do amendoim, desde o desenvolvimento tecnológico até a operação no campo. A proposta é ampliar o diálogo técnico entre regiões produtoras com relevância internacional na cultura, incentivar a circulação de conhecimento aplicado ao aumento da eficiência produtiva, aproximar práticas produtivas e discutir caminhos para o avanço sustentável da cultura em diferentes regiões agrícolas.

O grupo é formado por engenheiros agrônomos, produtores rurais e empresários ligados ao agronegócio da região de Córdoba na Argentina, reconhecida como um dos principais polos mundiais de produção e processamento de amendoim. A província argentina responde por cerca de 90% do plantio nacional da cultura e busca ampliar o acesso a tecnologias aplicadas à mecanização e ao manejo agrícola.

A delegação chega ao Brasil no domingo, 15, com desembarque em São Paulo, e no dia seguinte segue com a programação que inclui visitas industriais, atividades de campo e encontros técnicos com especialistas e empresas do setor. Na segunda-feira, 16, a comitiva a visita a unidade da Bosch, em Campinas, seguindo posteriormente para Catanduva e Pindorama, locais da agenda central desta ação.

Na terça-feira, 17, pela manhã, o grupo visita as unidades que integram a Indústrias Colombo, empresa responsável por realizar e organizar todo o Tour del Maní Colombo em parceria com a Gallagro (revenda de equipamentos da Colombo em Córdoba). No período da tarde, o grupo participa de uma reunião entre a Colombo, Gallagro e clientes.

Na quarta-feira, 18, a programação segue para a região de Jaboticabal, onde os participantes acompanham atividades de colheita de amendoim, permitindo contato direto com operações de campo e práticas adotadas na produção paulista. Já na quinta-feira, 19, ocorre uma palestra técnica em Ribeirão Preto, abordando manejo e produção do amendoim. O retorno a Campinas acontece no mesmo dia, com embarque de volta à Argentina previsto para sexta-feira, 20.

Segundo Neto Colombo, diretor de Operações da Indústrias Colombo, a visita reforça a importância da troca de experiências entre regiões que possuem papel relevante na produção agrícola. “A vinda da delegação argentina representa uma oportunidade de compartilhar conhecimento técnico e aproximar realidades produtivas que enfrentam desafios semelhantes. O intercâmbio permite discutir soluções aplicadas à mecanização e à eficiência no campo, fortalecendo o desenvolvimento da cadeia do amendoim nos dois países”, afirma.

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Dia do Industrial do Café

Celírio Inácio, Diretor-executivo da ABIC.

Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) segue firme em prol da qualidade e combate à adulteração no setor

O café está presente em 98% dos lares do país e a confiança do consumidor passa diretamente pelo trabalho desenvolvido pela indústria. A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) realiza, aproximadamente, 5.000 análises por ano e monitora os produtos vendidos nos pontos de vendas, de empresas associadas e não associadas.

O trabalho da indústria é fundamental para assegurar que a bebida chegue, diariamente, à mesa dos brasileiros com qualidade e pureza. No Dia do Industrial do Café, 12 de março, o setor, representado pela ABIC, destaca o papel estratégico das empresas responsáveis pela torra, moagem, controle de qualidade e distribuição do produto em todo o país.

Ao longo das últimas décadas, o segmento investiu em processos de controle, certificação e rastreabilidade, que ajudaram a elevar o nível do café disponível no mercado brasileiro. Iniciativas como o Programa de Qualidade do Café da ABIC contribuíram para estabelecer parâmetros claros de qualidade e para combater práticas de adulteração que historicamente afetavam o mercado.

A ABIC certifica, atualmente, 2.017 produtos sendo: Especial (2,3%), Extraforte (20,7%), Gourmet (23,7%), Superior (14,8%) e Tradicional (38,5%). Produtos certificados no estilo Especial cresceram mais de 300%, no último ano, entretanto, ainda correspondem a um nicho de mercado de pequeno impacto considerando o volume total de consumo, que representa 1% do volume total no varejo. O reconhecimento da sustentabilidade em produtos certificados cresceu 31%.

Impacto econômico
Outro aspecto relevante é o impacto econômico da indústria do café. O setor reúne, aproximadamente, 1.050 indústrias distribuídas pelo país, responsáveis por gerar, aproximadamente, 8.4 milhões de empregos diretos e indiretos no país. O faturamento da indústria de café torrado, em 2025, alcançou R$ 46,24 bilhões, uma variação positiva de + 25,6%, quando comparado a 2024. A alteração ocorreu devido ao aumento do preço do café na gôndola no mesmo período.

A atuação da ABIC também contribui para ampliar o conhecimento do consumidor sobre a bebida e, ainda, o combate à fraude no mercado de café por meio de relacionamento com o varejo e com os organismos de fiscalização.

“A ABIC tem feito um trabalho forte e baseado em ciência a favor do industrial sério e do café de qualidade e puro. Temos atuado junto a instituições como MAPA, Anvisa, Procon e Decon. Em 2025, foram apreendidas 103,6 toneladas de café torrado fora dos padrões aceitos pelas entidades regulamentadoras. O consumidor tem o direito de beber um alimento seguro e a associação trabalha para isso”, comenta Celírio Inácio, Diretor-executivo da ABIC.

O executivo comenta que para 2026, a ABIC pretende consolidar e fortalecer os critérios para a avaliação sensorial de cafés torrados no Brasil, garantindo a uniformidade e padronização dos procedimentos que poderão ser replicados por diferentes avaliadores de cafés: “capacitar a indústria e o mercado na metodologia do Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC e estimular o uso do aplicativo Estilos de Café, para que as indústrias possam utilizar internamente junto aos seus avaliadores, é um dos nossos objetivos”.

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